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Quinta-feira, Setembro 17, 2009


Um par para poesia. olhos que não desejam toque, apenas ver. coração que não deseja segurança.
E ainda assim tudo isso é desejo de quem deseja o que não quer que desejem por saber o quanto cega esse desejo.

bocejado por Lee M.
2:45 PM
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Quinta-feira, Setembro 03, 2009


Carry olhava para a espuma que vinha com cada onda. Ela não era nada estranha. Mas ainda assim, curiosa de se ver, ali, na areia, sem saber se era ela ou ela.

bocejado por Lee M.
10:00 AM
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Terça-feira, Julho 14, 2009


A jornada nunca terminou, realmente. Fato que houve uma pausa, boa no princípio, suspeita no meio, insuportável no final, mas importante, respeitável, criativa, no fim de todas as contas.

Porque, em meio a divergências que geravam outras que alimentavam as anteriores e geravam novas, emergiu uma triste e pesada visão de mim mesmo, diferente das visões de autopiedade ou de depressão poética. Uma visão de um ente falho, falso e covarde em suas relações. Não creio nisso como uma definição, não mesmo. Sou mais, melhor, além disso. Mas tenho essa coisa em mim. E ela pode, surpreendentemente, tomar o controle, me balançar de uma lado a outro à reveria de minha vontade, se tornar, na verdade, a minha vontade.

Algo terminou agora, mas já tinha acabado há muito tempo. E cheguei a pensar que nunca deveria ter sido, mas isso não passa de uma fuga fácil de uma realidade nem assim tão complicada.

O princípio, a criatividade, a mútua criatividade, os agrados, os bilhetes, os sorrisos e tudo mais. Tudo isso foi muito real. E se eu não pude ou não quis deixar isso crescer, ou se isso não poderia jamais crescer por sermos feitos de matérias tão distintas ou tão iguais, se houve algo dessa sorte, não é motivo para invalidar o começo, o contato, a descoberta.

Foi um belo começo, intensos contatos, grandes descobertas.
E eu quero guardar isso comigo, mais do que eu já quis guardar qualquer similar momento. Porque esse me ensinou que preciso ser outro, que minha pretensa poesia, pretensa inteligência e frágil talento me dão alguma força, mas não me fazem um mau ou bom homem. E eu preciso me tornar algum desses. Bom, mau, bom e mau, tanto faz, preciso SER e para isso vejo que ainda tenho um longo caminho.

Um caminho de sonhos postergados que eu nem sei se ainda sou capaz de seguir, um caminho de exercícios do corpo e da mente cuja disciplina necessária eu nunca, em trinta anos, tive.

Preciso mudar, de um jeito que jamais mudei. Eu jamais mudei.

E agora preciso disso, por mim, por gratidão a esse tempo que vivi e quem viveu comigo e, de novo, por mim. Porque tenho uma vida que já ultrapassou qualquer limite, ficando parada. Agora preciso me mover, me frustrar, me decepcionar com minha incapacidade em muitas coisas, me reanimar após minhas dificuldades com tantas outras para as quais eu simplesmente me consideraria incapacitado, mas que na verdade são feitas para mim, são parte da história que, de alguma forma, em algum lugar, eu prometi escrever antes de cair nesse mundo.

Pensei em fazer uma natural elegia a essa aventura muito séria, muito marcante e muito boa que tive, mas não é disso que eu preciso agora. Não é para isso que eu estou pronto agora. E o que devo fazer já está cansado de bater a minha porta, cansado do frio do lado de fora, que é o nada, e só não está morto porque, agora vejo isso muito bem, é parte de mim, se alimenta de meu alimento, respira meu ar e sonha meus sonhos. Isso, então, jamais morrerá, mas a fraqueza que isso ganha ao ficar do lado de fora, no frio do nada, se torna simplesmente a minha própria fraqueza, minha própria, lenta, imperceptível e muito eficiente queda. Que precisa parar. Ou eu nunca serei parte do que eu nasci para ser, nunca serei parte do que eu sonhei ser, nunca agradecerei ao mundo e a meus companheiros por nada do que me deram até hoje. Por tudo isso que é quase tudo que eu sou.

Por isso, é preciso caminhar. Muito mais na vida do que nas idéias. Muito mais fora do que dentro, dessa vez.

bocejado por Lee M.
9:49 PM
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Terça-feira, Junho 23, 2009


Vermelho e árido. É como ele vê tudo em sua frente agora. Saíra com a esperança de encontrar uma paisagem, beber, ainda fresca, alguma água, se deitar por um minuto num tapete verde de frágeis ramagens. Saíra depois de muito sofrer sua estática condição de coisa-alguma, de ter suportado a zombaria do destino e da memória, que não simplesmente faziam dele esse nada, mas o davam nobres e grandiosas origens, para então lhe atirar essa verdade.

Cansado e sem poder parar, continua. Olha à frente e tudo que vê se desfaz no minuto seguinte, quando resolve, sempre, reiterar a convicção de não mais se alimentar do próprio pensamento ilusório. Mas, além da ilusão, tudo se mantém: Vermelho e árido.

Se esforça, de maneira sobrehumana até, dada sua condição, mas por um instante se perde e se lembra (cria lembrança, em verdade) de uma dança no topo de uma chapada bem alta onde o vento sopra sonoro e forte e seus movimentos são um terço do todo que é aquele ritual de entardecer.
E se lembra (cria lembrança, em verdade) de seus dois companheiros e do poder que compartilhavam e enfim dos caminhos que escolheram após se sentirem maduros, preparados. E se lembra (sim) desse deserto em que chegara e de onde está agora e de como está agora.

Olha para os lados, para frente, não atrás, não há nada. O cansaço que sente já ultrapassa a barreira de sua aparente mortalidade e agora, sem perceber, é mais espírito do que carne, ainda que nada tivesse deixado para trás, por enquanto ao menos.

Quer falar, não tem mais voz. Quer pensar porquê, não há força e nem fosfato que o permitam. Só pode sentir e algumas outras idiossincrasias que são da alma e não do corpo. Mas se sente, de alguma forma, satisfeito por ter sido seguir em frente seu último sopro de consciência, último comando dado ao corpo.

Longe, noutro mundo bem mais vivo e nada árido, dois companheiros bebem, do mesmo copo, uma pura água. Dedicam-no. E sentem, apesar de conformados com o que a fé lhes reservara, a saudade, a tristeza e a dor de um terceiro, neles mesmos. Deles mesmos, ela.

E o sol nunca se põe. Não parou em seu ápice, felizmente; o sem fim é o entardecer, que turva a vista, dói a cabeça, confunde os sentidos, mas ao menos não trás à garganta aquela sequidão, aos pulmões o cansaço, a todo corpo a maldição que há no meio do dia. Ao menos isso, essa caminhada lhe permite. Piedade orquestrada por algum daqueles deuses difamados, ou, quem sabe, pura sorte.

Não sabe. Não faz diferença saber. Nisso também não consegue mais focar a mente. Continua.

bocejado por Lee M.
5:42 PM
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